Mercado 100% online, Shopper leva R$ 120 mi e quer crescer fora de SP

A Shopper, uma startup dona de um aplicativo para compras de artigos de supermercado 100% online, anuncia nesta terça-feira, 18, um aporte de 120 milhões de reais.

É a segunda rodada de captação de recursos da Shopper, que levantou 10 milhões de reais em 2019 de um grupo de investidores formado por nomes de peso do varejo brasileiro, como José Galló, presidente do conselho da Renner, Juscelino Martins, do Grupo Martins, de atacadistas, do fundo Canary VC e do empreendedor Ariel Lambrecht, co-fundador do aplicativo de mobilidade da 99. O grupo está por trás do aporte anunciado hoje, além de novos investidores, como a gigante de processamento de alimentos Minerva Foods.

O aporte vem num momento de expansão acelerada do negócio. Além disso, a cada quatro meses a Shopper dobra de tamanho (em faturamento), média que tem sido uma constante por ali. A startup tem hoje mais de 250.000 pessoas cadastradas na plataforma. O time também cresce rápido: no começo de 2020, a empresa contava com 150 colaboradores; ao final de 2020 tinha quase 400 e hoje conta com mais de 500 pessoas no time, número que deve se elevar ainda mais neste ano.

O negócio foi fundado em São Paulo em 2014 pelos empreendedores Bruna Vaz Negrão, 27 anos, e Fábio Rodas Blanco, de 28. Ambos eram colegas de faculdade na escola de negócios Insper, uma das mais relevantes da capital paulista. A motivação do negócio era muito simples: em meio à crise econômica e à inflação que afetavam o bolso do brasileiro naquela época, como ajudar famílias a organizar de uma maneira mais eficiente as despensas e, na ponta, economizar recursos.

A Shopper segue o modelo de compras programadas: o consumidor monta sua cesta, seleciona o dia de entrega e finaliza sua compra. A partir de então, recebe em casa suas compras todos os meses. Uma lista default de compras fica salva no site ou app e uma entrega fica automaticamente pré-agendada para cada mês. O cliente recebe lembretes todos os meses para alterar sua lista antes das próximas entregas - ou até alterar a data de entrega, se precisar antecipar, adiar ou pular uma entrega.

Para baratear as coisas, a Shopper compra os itens diretamente dos fabricantes, sem atravessadores e nem lojas físicas. Como as compras junto aos fornecedores são feitas com antecedência, a empresa consegue comprar dos fabricantes após a confirmação do pedido do cliente e ter baixo nível de estoque, o que reduz custos. "Os clientes da Shopper economizam, em média, 10% em relação a supermercados tradicionais com vendas online", diz Bruna.

O modelo de negócio é inspirado no Subscribe & Save (assine e economize, numa tradução livre), criado pela gigante do varejo Amazon nos Estados Unidos como uma forma de melhorar a produtividade da cadeia de distribuição. No início, a Shopper oferecia pouco mais de 1.000 produtos diferentes - os "SKUs", no jargão do setor. Hoje, o negócio trabalha com 9.000 SKUs, o equivalente a um supermercado padrão nos grandes centros.

O negócio ganhou fôlego na pandemia. Com mais gente em casa e cozinhando diariamente, a preocupação com a gestão da despensas aumentou sensivelmente, dizem os fundadores. "As pessoas começaram a entender melhor o que consomem e quanto", diz Rodas Blanco. "Isso só ajuda um negócio como o nosso, de organização das compras."

Com o novo aporte, a startup busca investir em novas aquisições e expandir sua atuação, com a oferta de seus serviços em mais municípios. Atualmente, a Shopper atende mais de 1.400 bairros da Grande São Paulo, além de 22 municípios próximos. Até o final de 2021, o número deve quase triplicar, passando a atuar em pelo menos 60 municípios, inclusive de outros estados.

O novo investimento também deve acelerar o número de funcionários. Até o final do ano, a startup deve abrir mais 500 vagas para diversos cargos. Além disso, a Shopper vai utilizar o novo aporte para acelerar o lançamento de novas tecnologias.








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